Schelotto e Zeegelaar: Laterais de equipa grande?

Laterais leoninos não tiveram uma época consistente, por isso o tribunal leonino tem levantado muitos pontos de interrogação em relação ao futuro.

Schelotto e Zeegelaar: Laterais de equipa grande?
Laterais não têm sido consistentes nesta temporada // Fonte: Record

Sabem quantos jogadores já foram utilizados como defesas laterais na equipa do Sporting deste ano? Sete! Na direita Schelotto, João Pereira, Esgaio e até Paulo Oliveira, e na esquerda Zeegelaar, Bruno César e Jefferson. Isto só mostra a instabilidade que os leoninos têm tido nesta posição. No entanto, os donos do lugar são Schelotto e Zeegelaar, mas esta época por parte dos dois levantou muitas perguntas, e uma delas é: será que são os laterais certos para uma equipa que queira ser um candidato forte ao título?

Começando pelo lado direito e por Schelotto. O italo-argentino já realizou 25 partidas, sendo aposta de Jorge Jesus para o lugar sempre que está disponível. O número 2 leonino é o tipo de lateral que o técnico leonino sempre gostou: rápido, forte e alto, para ser imponente nas alturas. É verdade que Schelotto se encaixa neste perfil, mas este jogador não é lateral de origem, sempre foi visto como um médio direito, e daí se percebem as dificuldades defensivas que demonstra mais vezes do que devia. Posicionamento fraco e falta de capacidade para dobrar os centrais sãos dos principais problemas de Schelotto.

No que toca à ao ataque, o italo-argentino está lá sempre, tem uma capacidade enorme para estar o jogo inteiro a fazer vaivéns pelo lado direito, mas a verdade é que, mesmo tendo feito maior parte da sua carreira a médio direito, parece fazer tudo em esforço. Muitas vezes falta-lhe calma a decidir e acaba por fazer más decisões, mas a sua entrega e raça compensam a sua falta de técnica, mas, como se sabe, isso não chega para um grande. A verdade é que Schelotto, na sua nova posição de defesa esquerdo, mostra mais fragilidades do que facilidades.

No lado esquerdo, tem quase havido um jogo das cadeiras, com o lugar a ser ocupado por vários jogadores em jogos consecutivos. Ora joga Zeegelaar, ora joga Bruno César, ora joga Jefferson. A época do Sporting tem sido marcada por isto. No fundo, quem tem sido o dono do lugar é Marvin Zeegelaar, que realizou 26 jogos nesta temporada. Fez mais jogos que Schelotto, mas isso não significa que tenha sido uma maior aposta, pelo contrário, o italo-argentino jogou menos devido a lesões.

Jorge Jesus sempre teve um «trauma» no lado esquerdo das defesas que treinou, já no Benfica foi assim. Emerson, Melgarejo, Capdevilla são alguns dos exemplos falhados do treinador no Benfica, estes dois anos no Sporting trouxeram-lhe o mesmo problema. Zeegelaar, tal como Schelotto, é um extremo de origem, daí se notar as evidentes dificuldades do holandês nas ações defensivas. Não sendo tão imponente fisicamente como o seu colega do outro lado da defesa também não ajuda.

No que toca às decisões ofensivas, o lateral esquerdo do Sporting porta-se bem, cruza bem, é rápido e consegue envolver-se bem no ataque. Este é o principal ponto forte do holandês. Um facto que não o tem ajudado é que quando as coisas não estão a correr bem à equipa durante o jogo, ele é o primeiro a ser sacrificado. Jorge Jesus faz muitas vezes a alteração de tirar Zeegelaar para colocar um extremo em campo, puxando Bruno César para o lado esquerdo da defesa.

Se o Sporting quer para o ano ser uma equipa mais competitiva, tem que melhorar muito na defesa, e um passo para isso será reforçar as laterais da defesa este Verão. Para se ter uma ideia, o Sporting tem mais golos sofridos do que o Benfica e FC Porto juntos.


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