Gaitán em lágrimas: Coimbra tem mais encanto...na hora da despedida

Chegou o dia de dizer adeus: Gaitán, o mago da Luz, despediu-se hoje do universo benfiquista, após conquistar a Taça da Liga na cidade de Coimbra. Emocionado, o craque confessou que irá abandonar o clube, estando prestes a assinar contrato com o Atlético Madrid.

Gaitán em lágrimas: Coimbra tem mais encanto...na hora da despedida
Gaitán em lágrimas: Coimbra tem mais encanto...na hora da despedida

Chegou à Luz para fazer esquecer Ángel Di María, vindo do Boca Juniors. A técnica era-lhe inata, o pé esquerdo, salpicado de magia, rapidamente mostrou que Nicolás Gaitán poderia ser um activo importante no plantel encarnado, à data treinado por Jorge Jesus. Cedo se impôs no onze, principalmente pela qualidade da condução de bola e capacidade de assistir os colegas de ataque, mediante cruzamentos bem medidos. Mas não se adivinharia, em 2010/2011, que o argentino tornar-se-ia num dos elementos capitais do onze das Águias durante seis temporadas.

Na sua chegada, na ressaca do título nacional de 2009/2010, Gaitán trazia selo de qualidade (era titular indiscutível na formação de La Bombonera) e Jesus não esperou para dar honras de titularidade ao extremo esquerdo, que se notabilizou pelo drible apurado e pela forma acutilante como atacava a faixa esquerda, à moda clássica. Na temporada de estreia, 2010/2011, Gaitán acumularia 48 partidas pelo Benfica, festejando 9 golos, tudo isto numa temporada em que os encarnados seriam cilindrados pela hegemonia de André Villas-Boas e seus pupilos portistas. 

Somente com a Taça da Liga no bolso (único troféu conquistado em 2010/2011), Gaitán atacou a segunda temporada na Luz como dono da faixa esquerda do ataque, pontificando em 44 jogos e marcando 4 golos - o Benfica voltaria a capitular perante o rival FC Porto, Gaitán voltava a sentir o sabor amargo da derrota. A Taça da Liga viria, novamente, a ser o seu único consolo, sendo o único troféu ganho pelos encarnados na época 2011/2012. A temporada seguinte voltaria a consagrar o talento técnico de Gaitán, que se assumia já como o maestro ofensivo da equipa - apesar disso, a fome de títulos foi total.

Nessa mesma época, de 2012/2013, Gaitán foi um dos líderes da orquestra de Jorge Jesus, mas o terrível mês de Maio de 2013 viria a deitar por terra todas as ambições das Águias - derrota no Dragão sob a égide fatídica do golo de Kelvin, derrota na final da Liga Europa e derrota derradeira perante o Vitória SC de Rui Vitória; o argentino fecharia a época com um tento nessa final da Taça de Portugal, terminando com 44 presenças e 5 golos nessa época. Na época seguinte, por fim, a alegria dos títulos chegaria, e de que forma...

O segundo título nacional de Jorge Jesus seria o primeiro do argentino: na temporada 2013/2014, o Benfica festejaria o campeonato nacional com Gaitán a ser figura central, organizador de jogo atacante e peça essencial na manobra ofensiva desenhada por Jesus. Em 43 partidas, Gaitán comemoraria 8 golos, sendo fulcral pelo número de assistências realizadas, um trunfo habitual que o argentino retirava da manga com extrema facilidade. Aos rumores da sua saída, o Benfica correspondeu com o esforço financeiro para reter o craque, que viria a tornar-se bicampeão em 2014/2015.

Nessa temporada, mais do mesmo: o extremo mantinha a sua preponderância no onze à medida em que adquiria maior versatilidade táctica, o que lhe permitiu até ser importante em zonas centrais do terreno. Com 37 jogos disputados e 4 tentos apontados, Gaitán seria repetente no capítulo das assistências, com Jonas e Lima a agradecerem a visão do sul-americano. O defeso voltou a ser prolífero em rumores de saída, mas o jogador, então com 27 anos, acabaria por manter-se na Luz, após ter sido dado como potencial reforço do Atlético Madrid.

Já sem Jesus (com o qual diz ter aprendido muito) mas com Vitória, o ex-Boca Juniores, tornado num dos capitães da família benfiquista, voltaria a celebrar o campeonato, participando no tri, feito não alcançando pelo clube há quatro dezenas de anos. Com 37 partidas jogadas e 11 golos assinados (melhor registo goleador do argentino no Benfica, e o melhor da carreira), Gaitán fechou o seu ciclo na Luz, na cidade de Coimbra, com a conquista da sua quinta Taça da Liga, numa partida em que celebrou também, pela última vez, um golo de águia ao peito. 

Substituído aos 78 minutos, o argentino, natural de San Martín, despediu-se dos adeptos encarnados, apontando, com carinho para o símbolo do clube enquanto se encaminhava para o banco. Já sentado, em lágrimas, o craque, que está de partida para os «colchoneros», mostrou-se emocionado com o dia da despedida, polvilhada com uma festa onde a alegria se mesclou com a melancolia da separação. Na entrevista dada, ainda no relvado, à TVI, o jogador confessou que está de partida da Luz, informação que, segundo o próprio, apenas lhe foi providenciada ao meio-dia.


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