Gonçalo Guedes e Nélson Semedo: titularidades absolutas adiadas

Gonçalo Guedes e Nélson Semedo: titularidades absolutas adiadas: uma crónica VAVEL sobre a dissipação das duas promessas encarnadas do onze de Rui Vitória.

Gonçalo Guedes e Nélson Semedo: titularidades absolutas adiadas
Foto: SL Benfica/Facebook Benfica

Dois desaparecimentos da equipa principal do Benfica, dois eclipses que têm duas razões bem distintas: se, no caso de Gonçalo Guedes, a ausência das escolhas principais de Rui Vitória se deve ao critério do treinador, a ausência de Nélson Semedo está intimamente ligada à grave lesão que assolou o promissor lateral ofensivo promovido ao plantel principal pelo sucessor de Jorge Jesus. 

Os dois talismãs jovens da formação encarnada arrancaram com todo o fulgor a temporada 2015/2016: Nélson Semedo agarrou sem discussões a titularidade no lado direito da defesa, órfão de Maxi Pereira, enquanto o extremo Gonçalo Guedes pontificou no onze, colmatando a ausência do extremo argentino Salvio. E, para gáudio dos adeptos da Luz, o novo paradigma de aposta na juventude da casa, política que rompeu com o passado recente, deu resultados claros - Semedo encantou com a sua dinâmica ofensiva e Guedes mostrou tarimba para ser peça fulcral no ataque encarnado.

Mas o progresso da temporada veio colocar um travão à ascesão súbida dos dois jogadores. Uma lesão ao serviço da selecção nacional, em Outubro, colocou Nélson Semedo fora de combate, obrigando Vitória a dar o lugar ao versátil André Almeida. A lesão, que obrigou a uma recuperação longa, ajudou a impulsionar novamente Almeida, que ganhou preponderância no onze do Benfica, principalmente devido à sua resiliência defensiva. Já Gonçalo Guedes, abandonou a equipa titular e até mesmo as segundas escolhas de Vitória, por decisão técnica.

O caso parece, assim, mais bicudo que o de Semedo, já que o extremo, que tão boa conta de si deu em jogos de alto calibre (como o realizado no Vicente Calderón, e que terminou com a estóica vitória do Benfica), sumiu das escolhas de Rui Vitória e nem mesmo para segunda linha tem sido opção. A esta dissipação não será alheia a solução oferecida por Pizzi: o jogador, que assumiu posição no miolo no arranque da época, derivou para o flanco direito e as suas boas exibições consolidaram-no como actor principal da peça idealizada por Vitória.

Capaz de oferecer maior versatilidade táctica, Pizzi ganhou a corrida ao flanco direito devido à sua capacidade de auxiliar o meio-campo, equilibrando o sistema 4-4-2 de Rui Vitória nos momentos em que a equipa encarnada necessita de povoar o miolo e recuperar a posse de bola. Para piorar a situação de Guedes, o reforço de Verão Mehdi Carcela aproveitou algumas oportunidades para convencer o treinador da sua utilidade, principalmente quando saído do banco de suplentes. Ambos os jogadores terão, agora, que lutar para convencer o treinador de que poderão ser mais úteis, actualmente, que Pizzi e Almeida.


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