Coluna, a lenda eterna: Dois anos sem Capitão

Cumprem-se dois anos desde o falecimento de Mário Coluna, um dos nomes históricos que ajudou no seu tempo a aproximar Portugal das grandes selecções mundiais.

Coluna, a lenda eterna: Dois anos sem Capitão
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Existem jogadores intemporais que ultrapassam a juventude daqueles que, décadas depois, sem nunca os terem visto jogar, se rendem perante a qualidade evidenciada apenas em vídeos, muitas vezes sem a menor qualidade devido ao afastamento do tempo. Por outro lado, é esta a única forma de recordar Mário Coluna, um futebolista que apesar do apreço que sempre lhe foi dedicado, terá sido subvalorizado face a tudo o que representava.

Cumpriu-se esta quinta-feira o segundo adversário do falecimento de Mário Esteves Coluna, o eterno Capitão do Benfica e também da Selecção Nacional. Um futebolista que, não tivesse sido contemporâneo de craques como Eusébio - uma das amizades que manteve com o passar dos anos -, Pelé e Bobby Charlton, certamente teria merecido um galardão individual, como ser distinguido como o futebolista do ano nos anos 60.

O médio fez carreira num Benfica que não conheceu igual, fazendo parte de um momento da História da modalidade em que esta não era, como hoje, dominada pelo Barcelona ao nível de clubes, mas sim num início de década de 60 no qual era a águia quem liderava.

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Coluna ajudou a derrubar barreiras para Portugal entre as melhores selecções mundiais no seu tempo

Este era um jogador com um poder físico que até então era raro num futebolista português, mesmo medindo apenas… 1,72 metros, que pareciam bastante mais e que o distinguia dos demais. Estas características levaram-no a um percurso de 13 anos com as cores nacionais, num estilo comparável ao que se veria poucos anos mais tarde, com o surgimento da geração seguinte e a emergência da poderosa selecção da Alemanha, liderada por jogadores do nível de Franz Beckenbauer, Paul Breitner, entre outros.

Muitos anos mais tarde, Coluna mantém, e manterá, o estatuto de eterno reservado aos imortais. Com todo o mérito, diga-se. Afinal, Coluna foi o Monstro Sagrado que conquistou na Luz um respeito ímpar, respeito este que se estendeu ao futebol internacional num período no qual, por alguns anos, se deixou para trás uma tradição de insucessos perante as grandes selecções mundiais.

Coluna foi uma figura importante na seleção // Foto: DR
Coluna na seleção // Foto: DR

É que, depois deste craque e dos muitos companheiros de qualidade que o acompanharam, esta tradição de insucessos continua a verificar-se em alguns casos, que persistem até hoje como verdadeiras maldições. Por tudo isso e muito mais, Coluna fez sonhar uma nação que, já antes e a partir daí, continuou a viver o futebol com a mesma paixão que as nações historicamente mais poderosas, isto no que respeita à conquista de títulos internacionais, deixando os portugueses à espera que um dia o título venha a ser mesmo o seu.

No dia em que tal venha a suceder e Portugal conquiste um grande título internacional, tal dever-se-á a homens como Coluna, que se prolongam pelo tempo. No caso do ex-médio, não só em Portugal como na sua terra natal, Moçambique, onde, para além de diversos espaços, tem uma Academia dedicada em seu nome, a Academia Mário Esteves Coluna, que actualmente se encontra em remodelação para corresponder aos desejos que o próprio Capitão sempre manifestou.

Antigo jogador mantém-se como um dos mais laureados atletas da história do Benfica

O objectivo para a Academia do antigo craque luso-moçambicano é simples: conceber futuras estrelas que possam dar continuidade ao trilho que percorreu, tal como Eusébio, e assim oferecer aos moçambicanos uma equipa dos Mambas como nunca teve - em virtude de ter vivido no período do Estado Novo, Coluna nunca representou Moçambique como nação, uma vez que na altura se tratava de uma região do Ultramar.

Foto: DR
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Herói de duas nações, o Monstro Sagrado persiste como uma das figuras máximas do mais titulado clube do futebol português, o Benfica, tendo contribuído fortemente como um futebolista laureado que conseguiu mesmo a proeza de ter marcado nas duas finais que resultariam nas duas conquistas da Taça dos Campeões Europeus para os encarnados.

Coluna ajudou com um golo a derrotar o Barcelona em 1961, e com outro tento ajudou a derrotar o Real Madrid um ano depois (só não bisou nesse encontro pois, como é sabido, Eusébio lhe pediu para marcar a grande penalidade que na altura colocou o Benfica em vantagem). Muito por isto, após a sua morte os adeptos benfiquistas entoam a cada jogo "tu és o capitão, Coluna", um hábito que se mantém há precisamente dois anos. Porque há capitães que duram para sempre.


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