Tondela perto do abismo: Segunda Liga no horizonte

Em zona alarmante na Liga NOS, o Tondela é cada vez mais último, e a 11 jornadas do fim a equipa de Petit encontra-se "só" a 11 pontos da primeira equipa acima do abismo.

Tondela perto do abismo: Segunda Liga no horizonte
Tondela perto do abismo: Segunda Liga no horizonte

Em estreia absoluta no campeonato luso, o Tondela festejou a subida de escalão, mas rapidamente se percebeu que a euforia seria substituída pelo amargo sabor de um plantel fraco para tamanha exigência. 3 treinadores diferentes, 10 pontos em 23 jogos e 41 tentos sofridos - a dura realidade de um conjunto condenado a descer de divisão.

Tondela: da expectativa até ao descalabro

Quando, no quente mês de Agosto de 2015, o Tondela se estreou na principal Liga lusitana, eram conhecidas as debilidades profundas do plantel, mas perspetivar um cenário tão negro volvidas 23 rondas não estava com certeza nos planos da motivada equipa do norte do país. Recorde-se que, na primeira jornada, foi o Sporting a apadrinhar a estreia do Tondela no principal escalão do futebol português. Com Vítor Paneira ao comando do conjunto nortenho, o Tondela criou sérios problemas aos leões mesmo tendo saído para o descanso em desvantagem. Na segunda parte a formação estreante não deitou a toalha ao chão e, de bola parada, Luís Alberto restabeleceu a igualdade. O Tondela viria a perder o jogo no último minuto por golo de Adrien de grande penalidade, mas a crítica foi consensual: estamos perante uma equipa esforçada, solidária e com um coletivo forte e capaz de contornar a carência de valores individuais.

Contudo, este início promissor deu lugar a uma equipa com uma estrutura frágil e inexperiente, que influenciou severamente o desempenho dos jogadores. Numa prova de regularidade é necessário existir coesão entre a direção, o treinador e os jogadores, e não abona a favor de qualquer clube despedir uma equipa técnica logo aos primeiros desaires. Ainda no primeiro terço do campeonato o Tondela registou a primeira chicotada psicológica, com Vítor Paneira a ser despachado para fora do clube. Em poucos meses, Paneira comandou a surpreendente equipa que subiu de divisão e num instante foi despedido, deitando por terra o projeto que ele mesmo ajudou a construir.

Foto: Facebook do Tondela
Foto: Facebook do Tondela

Logo aqui se antevia que o futuro não iria ser risonho, mas mesmo assim o presidente do Tondela tentou dar a volta apostando no estratega ex-internacional luso Rui Bento. O efeito positivo da mudança de treinador foi quase tão curto como o número de pontos do Tondela e claro, o desfecho a curto prazo só poderia ser o despedimento. A equipa não tinha a alma e a garra que denotava com o treinador anterior e o desespero voltou a invadir a frágil estrutura dos nortenhos. Sem surpresa, Rui Bento deixou o comando da equipa e Petit, acabado de sair do Boavista, aceitou o duro desafio de orientar o lanterna vermelha da Liga NOS.

Concluindo, em 23 jornadas a aventura do Tondela no principal escalão do futebol lusitano resume-se a 3 treinadores, 17 derrotas, 4 empates e 2 míseras vitórias. O registo desastroso conta ainda com 41 tentos sofridos e apenas 19 concretizados. Este cenário faz com que, em 23 jogos, o Tondela some 10 pontos, encontrando-se a 11 do Boavista que é a primeira equipa acima da linha de água. Com a calculadora na mão, a formação de Petit terá de fazer um milagre para recuperar terreno na tabela classificativa, mas o futebol habitua cada apaixonado pelo desporto rei a grandiosas surpresas.

Empate em Alvalade e o goleador Nathan Junior dão alento

As duas vitórias em 23 partidas é um registo medíocre, mas é interessante perceber que os triunfos ocorreram frente a equipas difíceis, como o Rio Ave e o Nacional. Na jornada 3, com Vítor Paneira ainda no comando, o Tondela estreou-se a vencer na Liga NOS frente ao Nacional por uma bola a zero. O golo de Luisinho despertou a festa no clube nortenho, que com esta vitória esperava vir a ter uma campanha triunfante no campeonato. Derrotar a formação madeirense é difícil, mas o Tondela mostrou que trabalhando coletivamente tudo se torna possível. Mais uma vez surge a questão: valeu assim tanto a pena desmoronar o projeto sólido de Vítor Paneira?

Foto: Facebook do Tondela
Foto: Facebook do Tondela

A resposta não é simples, mas destruir rotinas de treino diz muito do amadorismo da estrutura diretiva do Tondela.  Na Vila dos Arcos, o Tondela venceu por 2-3 numa partida bem disputada com um desfecho inesperado. Jogar no reduto do Rio Ave não é tarefa fácil para qualquer equipa, mas Murillo, Wagner e Nathan Junior fizeram o gosto ao pé, destronando os tentos de Tarantini e Heldon. Este triunfo teve um grande impacto, na medida em que apenas se viria a desenhar na jornada 15, diante um oponente consolidado que luta por um lugar na Liga Europa e que está nas meias finais da Taça de Portugal.

Para além das duas vitórias é impossível esquecer o empate surpreendente do Tondela em casa do líder Sporting. Com Petit na equipa técnica o Tondela apresentou melhor futebol do que com Rui Bento, mas as faltas de rotinas com o terceiro treinador da temporada fizeram-se sentir. Ainda assim, os nortenhos foram a Alvalade travar o Sporting e arrancaram uma igualdade a duas bolas. No emblemático jogo da expulsão de Rui Patrício, o Tondela adiantou-se no marcador na primeira parte por intermédio de Nathan Junior, tendo permitido a recuperação leonina com golos de Slimani e Gelson. No entanto, o melhor estava reservado para o minuto 85 quando Chamorro restabeleceu a igualdade, gelando completamente os 40 000 presentes nas bancadas. Este resultado ocorreu na ronda 18, mas não representou uma metamorfose na tendência destrutiva do emblema de Petit.

Desde então, a realidade do Tondela restringe-se a 10 pontos no último lugar e fica tudo dito quando, na jornada 23, estiveram a perder 2-0 frente ao Marítimo, tendo tudo garra para virar para 3-2. O pior é que nos derradeiros minutos conseguiram a proeza de, jogando contra 10, permitir aos madeirenses uma reviravolta para 4-3 no tempo de compensação. O ponto positivo desta e de outras partidas reside na frente de ataque, com foco para o goleador Nathan Junior que, dos 19 golos do campeonato, já festejou por 8 vezes. O brasileiro tem muita qualidade e pode estar aqui uma réstia de seperança para promover um milagre na tabela classificativa.

Nathan Junior é a estrela da equipa // Foto: Facebook do Tondela
Nathan Junior é a estrela da equipa // Foto: Facebook do Tondela

Nesta luta ingrata pela manutenção, o Tondela revelou talvez não ter a estrutura inerente ao escalão principal, mas pode servir de exemplo para futuras aventuras do Tondela na liga NOS. É difícil, é pouco provável, mas quem sabe se a reviravolta da formação de Petit não começa frente ao Moreirense na jornada 24, no próximo Domingo.


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