Moreirense x Benfica: Orquestra de Rui Vitória afina 4 notas artísticas

No segundo encontro no espaço de uma semana entre Moreirense e Benfica, os encarnados voltaram a golear os de Moreira de Cónegos por esclarecedores 4-1, confirmando o bom momento que atravessam. A orquestra de Rui Vitória teve em Pizzi o maestro e em Jonas o finalizador.

Moreirense x Benfica: Orquestra de Rui Vitória afina 4 notas artísticas
A orquestra de Rui Vitória
Moreirense
1 4
Benfica
Moreirense: STEFANOVIC; SAGNA, MARCELO OLIVEIRA, DANIELSON E EVALDO; JOÃO PALHINHA (RAFA SOUSA, 86') E FÁBIO ESPINHO; IURI MEDEIROS, VITOR GOMES (SCHONS, 80') E ERNEST (PETROLINA, 56'); BOATENG.
Benfica: ÚLIO CÉSAR; ANDRÉ ALMEIDA, LISANDRO (LINDELOF, 59'), JARDEL E ELISEU; SAMARIS (TALISCA, 80'); PIZZI, RENATO SANCHES E NICO GAITÁN; JONAS E MITROGLOU (JIMÉNEZ, 73').
Placar: 0-1, JONAS, 16'; 0-2, MITROGLOU, 42'; 0-3, JONAS, 67'; 0-4, GAITÁN, 75'; 1-4, IURI MEDEIROS, 92'.
ÁRBITRO: MANUEL OLIVEIRA. AMARELADOS: VÍTOR GOMES, 54'; JARDEL, 64'; LINDELOF, 64'; PALHINHA, 82'.
INCIDENCIAS: LIGA NOS. JORNADA 20. MOREIRA DE CÓNEGOS

Em Moreira de Cónegos, o Benfica entrava em campo obrigado a vencer de forma a manter distâncias para o líder Sporting, que na véspera havia vencido a Académica por 3-2. Relativamente ao jogo a meio da semana para a Taça da Liga, que opôs estas mesmas equipas, Rui Vitória fez ao todo sete alterações na equipa, fazendo alinhar aquele que tem sido o seu onze base nos últimos jogos do Campeonato, com a excepção de Nico Gaitán que regressou à equipa em jogos para a Liga. E a verdade é que o Benfica, sem forçar muito, conseguiu uma importante vitória, que lhe permite continuar a depender de si para revalidar o título de campeão nacional.

A segurança de ser melhor

Estávamos na 3º jornada do Campeonato quando o Benfica recebeu e venceu o Moreirense na Luz por 3-2, num jogo sofrido com a vitória a ser obtida nos últimos minutos da partida com muito coração. A verdade é que entre essa partida e a de hoje passaram-se cinco meses que permitiram a Rui Vitória finalmente impor as suas ideias na equipa e construir a estrutura que tem garantido ao Benfica uma nítida subida de forma. A equipa encarnada é hoje um conjunto muito mais seguro e coeso tacticamente. Se Renato Sanches garante a meio-campo consistência e poder de pressão logo no primeiro terço do terreno adversário, Pizzi é o nome que maior reconhecimento merece neste novo Benfica. Jogando na ala, o transmontano é muito mais que um extremo, assumindo nos momentos defensivos o papel de segurar o Benfica a meio-campo, funcionando como terceiro médio junto a Samaris e Renato Sanches. Por outras palavras, é Pizzi quem agarra tacticamente o Benfica, o maestro da orquestra de Rui Vitória.

O Benfica entrou forte na partida, com uma intensidade e poder de pressão que cedo mostraram que o jogo devia ser resolvido o quanto antes. O que mais impressiona na equipa encarnada é a facilidade em encontrar espaços nas defesas contrárias. Sintomático deste ponto é o primeiro golo da partida marcado por Jonas, onde após bom cruzamento de Pizzi pela direita, o brasileiro apareceu a cabecear para o 0-1 quando estavam jogados apenas 15 minutos de jogo. O tento obtido permitiu ao Benfica passar a gerir o jogo de outra forma, optando por uma maior circulação de bola, sem nunca descurar a procura de um segundo golo que praticamente sentenciasse a partida, e que veio a acontecer já perto do intervalo.

A verdade é que, nos minutos que se seguiram ao golo inaugural de Jonas, a partida tornou-se mais física com muitas bolas divididas, onde João Palhinha procurava do lado do Moreirense disputar o jogo a meio-campo com o duplo pivôt encarnado, constituído por Samaris e Renato Sanches. Pese este período de menor fulgor, a turma da Luz nunca deixou de ter a partida verdadeiramente controlada, pese a boa exibição de Iuri Medeiros pelos da casa, e que à passagem do minuto 37 quase empatava o encontro numa das poucas desatenções da defensiva Benfiquista. O lance parece ter acordado o Benfica para a necessidade de obter um segundo golo que praticamente sentenciasse o jogo, pois nem cinco minutos volvidos, Mitroglou fazia o segundo golo, após uma brilhante abertura de Renato Sanches para Eliseu, que cruzou para o grego rematar para o 2-0 com que se chegou ao intervalo.

Controlar para sentenciar

A segunda parte trouxe-nos um Moreirense disposto a procurar um golo que lhe reabrisse a discussão do jogo. Miguel Leal fez a sua equipa subir as suas linhas, mesmo correndo o risco de expor a sua equipa às transições ofensivas do Benfica. O futebol do Moreirense passava quase sempre pelo mesmo interveniente, Iuri Medeiros. O extremo formado no Sporting é neste momento um valor a mais na equipa de Moreira de Cónegos, tendo sido o único elemento capaz de destabilizar a organização defensiva do Benfica. Incansável na busca do golo, o extremo teve nova oportunidade para empatar o encontro aos 49 minutos, após boa iniciativa individual. A verdade é que o maior atrevimento do Moreirense permitiu ao Benfica encontrar com maior facilidade espaços para desenvolver o seu futebol. Foi assim, que aos 67 minutos de jogo, Jonas bisou na partida após uma bela jogada entre o brasileiro e Pizzi. Foi o 21º golo de Jonas no campeonato em 20 jornadas decorridas, o que lhe confere uma média superior a um golo por encontro.

O terceiro golo encarnado quebrou animicamente o Moreirense, que não mais conseguiu criar perigo ao Benfica. No lado oposto, o Benfica aproveitou para dilatar a vantagem por Gaitán, após boa arrancada de Jiménez pelo corredor esquerdo do ataque encarnado. Tudo simples, tudo bem feito, tudo pensado ao pormenor. É o futebol de toque e resposta do Benfica de Rui Vitória, mais objectivo, mais simplista, mais letal. Até final o Benfica limitou-se a gerir os últimos minutos da partida, porém o encontro não iria terminar sem o tento de honra do Moreirense, marcado pelo inevitável Iuri Medeiros, cujo futebol já merece uma equipa que lute por outros objectivos que não a manutenção.

No segundo encontro entre Moreirense e Benfica nesta semana, os encarnados voltaram a golear, desta feita por 4-1. Pese uma melhor exibição dos da casa que, impulsionados pelos dois jovens valores leoninos, Iuri Medeiros e João Palhinha, deram uma melhor imagem do que o jogo da Taça da Liga. No lado encarnado, poucas dúvidas restam que o Benfica é por fim candidato ao título. Da equipa frágil, agarrada ao cronómetro, e que deixou os seus adeptos de coração nas mãos nos primeiros meses da época, nada resta. O Benfica é hoje uma equipa adulta, confiante, e segura tacticamente, que alia a esta coesão táctica a magia do futebol nos pés de artistas como Gaitán ou Jonas. É um Benfica em crescendo, com dez vitórias consecutivas em jogos oficiais, e que no momento parece preparado para o ciclo decisivo que se aproxima com jogos frente a Belenenses, Porto e Zenit.

Contas feitas, o Benfica encontra-se na mesma 2ª posição com 49 pontos, logo atrás do rival Sporting, enquanto que o Moreirense está já perto da Linha d'água, com apenas 20 pontos e a 15ª posição


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