Análise VAVEL: Porto de José Peseiro será sinónimo de ataque demolidor?

Depois da estreia de José Peseiro no banco azul e branco diante o Marítimo, chegou a hora de perceber o que irá mudar e qual será o método tático a implementar.  Conheça o historial do estratega em Vavel Portugal.

Análise VAVEL: Porto de José Peseiro será sinónimo de ataque demolidor?
Análise Vavel: Porto de José Peseiro será sinónimo de ataque demolidor?

Conhecido por privilegiar um sistema tático ofensivo, José Peseiro terá ao seu dispor no FC Porto um plantel recheado de soluções e estrelas,  o que permite antever uma mudança drástica na qualidade de jogo e na ambição de reconquistar a hegemonia do futebol nacional. Para conhecer o modelo de Peseiro, recorde o futebol bem praticado pelas equipas do técnico, com foco para a belíssima equipa do Sporting de 2005 que quase venceu tudo, e ainda o incrível Braga, que venceu a Taça da Liga em 2013.

2004/2005: No Sporting Peseiro brilhou mas... faltou chegar ao topo

O discurso de José Peseiro na chegada a Alvalade tem semelhanças interessantes com a mensagem que deixou aos portistas na chegada à cidade invicta. Em 2004 o técnico enfrentou o desafio Sporting com ambição e com a convicção de que mudaria o paradigma leonino. Neste período o Sporting passou a jogar um futebol perfumado com trocas de bola constantes e triangulações que baralhavam as marcações dos oponentes. O Sporting de Peseiro praticava, em  2004/2005, o futebol que mais entusiasmava em Portugal, mas na hora de decidir os títulos o conjunto de Alvalade vacilou.

A célebre semana do ''quase'' ditou a perda do campeonato para o Benfica e o desastre de Alvalade na final da Taça UEFA  frente ao CSKA de Moscovo. Nesta temporada, os leões controlaram a Liga durante 30 jornadas, mas nas derradeiras rondas o Benfica e o Porto passaram para as duas primeiras posições da tabela. As águias terminaram em 1º com 65 pontos, com o Porto em 2º a somar 62 e finalmente o Sporting em 3º com 61 pontos. No registo de golos marcados, relevo para os 66 tentos dos leões e para os 36 sofridos, números que revelam um Sporting com índices ofensivos fantásticos mas um registo defensivo débil para um candidato ao título.

No modelo de 4-4-2 de José Peseiro o rigor defensivo ficava em segundo plano, prevalecendo o jogo atacante com lances constantes de envolvimento colectivo que criava várias oportunidades de golo por jogo. O 11 base de Peseiro nos de Alvalade era: Ricardo, Rogério, Polga, Enakarhire e Rui Jorge na defesa, Custódio e Rochemback no meio campo e finalmente Douala, Pedro Barbosa, Sá Pinto e Liedson no ataque. No banco, Hugo Viana e João Moutinho alternavam as posições de suplente e titular, o que provocava boas dores de cabeça a Peseiro. O jogo leonino iniciava os processos de transição da defesa para o ataque através do batalhador Custódio, dando liberdade a Rochemback para distribuir o esférico com passes soberbos para os 4 homens da frente.

Durante o processo ofensivo os 90 minutos do Sporting somavam por vezes 5 unidades, com Rochemback a integrar os ímpetos ofensivos, seja com remates potentes ou passes de ruptura. Na frente, Douala e Pedro Barbosa ocupavam as alas, mas a tática de Peseiro promovia mudanças constantes de posições dos móveis Sá Pinto e Liedson com os extremos. Neste processo a circulação de bola ao primeiro toque criava linhas de passe que asfixiavam o adversário, criando imensas oportunidades de balançar a rede.

A virtude deste sistema era a beleza futebolística e as goleadas constantes (4-1 ao Newcastle, nos quartos-de-final da Taça UEFA), mas eram evidentes as carências defensivas do modelo de Peseiro que registou um número anormal de golos sofridos (o melhor exemplo é a final da Taça UEFA, em que os leões marcaram um golo mas sofreram 3 de forma infantil, acabando por perder em casa). Com o posicionamento de Custódio o quarteto defensivo ficava exposto às investidas contrárias, principalmente em contra-golpes, uma vez que, no processo defensivo, nem Rochemback, nem Duala, nem Pedro Barbosa participavam no apoio aos laterais e aos centrais.

Em suma, a passagem de Peseiro pelo Sporting marcou uma era de futebol bem praticado e com beleza técnica, mas com debilidades defensivas e pouca consistência na hora de conquistar títulos.

Sporting de Braga: Aventura no Minho garante Taça da Liga

No comando técnico do SC Braga, em 2013, o “treinador do quase” chegou aos guerreiros do Minho para dar sequência aos anos de afirmação do clube no topo do futebol português. Apesar de ter implementado uma tática menos ambiciosa do que no Sporting, José Peseiro voltou a delinear uma estratégia que primava pela segurança na posse de bola e no futebol bem praticado. Domingos Paciência, Jorge Jesus e Jesualdo Ferreira foram treinadores que alcançaram boas classificações no Campeonato, mas na verdade o que ficará para a história será a Taça da Liga de José Peseiro.

Em 2013 o Braga defrontou o Porto na Final, valendo o golo de Alan de grande penalidade para colocar em êxtase toda a cidade bracarense. Numa equipa com Rúben Micael, Alan, Mossóro e Hélder Barbosa, os minhotos ultrapassaram os favoritos dragões com um futebol personalizado e ofensivo, mas com maior consistência no último reduto do que Peseiro evidenciou quando treinou o Sporting.

O Porto de Peseiro será uma junção do futebol do Sporting e do Sporting de Braga em 2005 e 2011?

Na vitória do FC Porto no passado Domingo frente ao Marítimo por 1 bola a 0, a influência de José Peseiro na equipa portista ainda não se fez sentir. Em declarações no final da partida José Peseiro afirmou: “A partir de terça-feira em diante irei implementar as minhas ideias”. Perante isto, os adeptos portistas interrogam-se de como será o novo método tático do futebol azul-e-branco.

Em 2005, ao serviço do Sporting, Peseiro era ainda pouco experiente e construiu uma equipa demasiado ofensiva; no Braga, a qualidade de jogo no modelo de Peseiro manteve-se, mas a defender os arsenalistas demonstraram maior consistência. Com a chegada ao Dragão o treinador português terá à sua disposição o plantel da história do Porto com maior leque de escolhas, podendo delinear a equipa ao conjugar a experiência que adquiriu ao longo dos anos com o modelo inovador que iniciou no Sporting há mais de uma década.

Sem contar com a aquisição de possíveis reforços neste Mercado de Inverno, esperar-se-á um modelo tático dinâmico que poderá variar em diferentes fases de jogo num 4-3-3 e num 4-4-2, onde jogadores como Rúben Neves, André André, Brahimi, Corona, Aboubakar e Suk serão fundamentais. Caso o FC Porto reforce ainda mais o seu plantel, a margem de manobra para construir um modelo mais composto aumenta, sendo que no meio-campo a variedade é enorme se equacionarmos a presença de Imbula, Herrera e Danilo no lote de escolhas.

Em suma, o Porto deverá apresentar um futebol mais perfumado do que o que praticava com Lopetegui, apresentando maior consistência nas transições defesa/ataque e privilegiando a garra e a ambição que os dragões tiveram em tempos recentes com Jesualdo Ferreira e André Vilas Boas. 


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