A metamorfose do União da Madeira

Do pesadelo de Paços de Ferreira renasceu um União da Madeira ferido no orgulho, e que tem sabido disfarçar as suas lacunas com uma entrega e espírito de equipa inexcedível. Da equipa quebrada do jogo da Mata Real pouco ou nada resta, e o União pouco a pouco vai ganhando o direito a sonhar com a permanência na Liga NOS.

A metamorfose do União da Madeira
A metamorfose do União da Madeira

A derrota em Paços de Ferreira por seis golos sem resposta a 12 de Dezembro, contrariamente ao que seria previsível, catapultou o União da Madeira para o ínicio de um ciclo positivo, tendo o clube somado mais vitórias e pontos desde então (13 pontos e 4 vitórias), do que os que havia somado nas primeiras treze jornadas do campeonato (apenas 10 pontos e 2 vitórias ). Para o União a permanência está teoricamente à distância de sete pontos, quando ainda falta jogar praticamente toda a segunda volta da liga.

Do pesadelo ao sonho no espaço de uma semana

Estávamos na 13º jornada do campeonato quando surpreendemente o União da Madeira via-se vergado a uma humilhante derrota em Paços de Ferreira por 6-0. Pese o maior favoritivismo da equipa da capital do Móvel, nada fazia prever o descalabro verificado em campo. A derrota não só afundava o União na tabela classificativa como colocava o lugar de Norton de Matos em perigo. A reacção intempestiva do presidente do União, Filipe Abreu Silva, após a partida, deixava o treinador Unionense no fio da navalha. Consta aliás que a saída de Norton de Matos não se deu no imediato devido à proximidade do jogo em atraso da 7ª jornada frente ao Bi-Campeão em título Benfica.

Mas a verdade é que mais uma vez o futebol recordou-nos o porquê de ser o desporto Rei na maior parte do globo, e o União, contra todas as previsões, encetou frente ao Benfica uma recuperação assinalável na classificação. No espaço de uma semana, os comandados de Norton de Matos amealharam quatro pontos frente a dois dos principais candidatos ao título, Benfica e Sporting. As fragilidades defensivas denotadas frente ao Paços de Ferreira deram lugar a uma equipa coesa tacticamente, fruto de uma enorme entreajuda e espírito de equipa.

Somado a este ponto, o União encontrou na velocidade dos seus alas Danilo Dias, Breitner e Amilton a forma ideal para surpreender os dois emblemas lisboetas. Os excelentes resultados obtidos frente a dois dos principais candidatos ao título conferiram ao União a confiança necessária para encarar os jogos seguintes. Isto mesmo o demonstram os resultados obtidos desde então, onde em 21 pontos possíveis o União somou 13. Números extraordinários que permitem à turma Madeirense estar agora num cómodo 11ºlugar, já distando sete pontos da linha de água.

O dedo de Norton de Matos

Mas o que mudou afinal na equipa Madeirense? De um ponto de vista objectivo, para lá da questão emocional referente ao natural aumento de confiança após os bons resultados obtidos, também a disposição táctica do União da Madeira foi alterada. Do 4-2-3-1 que havia sido a táctica de referência até ao jogo com o Paços, o União passou a jogar num 4-3-3 mais conservador, onde nos momentos defensivos um dos alas tende a baixar para o meio-campo, passando o União a funcionar num 4-4-2 que lhe garante uma maior segurança defensiva.

No fundo, a ideia introduzida por Norton de Matos passa pela importância que os seus alas têm na coesão táctica da equipa, não esgotando as suas acções junto à linha mas procurando apoiar ora os laterais, ora os médios centro no processo defensivo. Neste ponto, Danilo Dias tem sido um elemento essencial ora funcionando como extremo, ora como quarto médio. A ideia de jogo do União garante-lhe um maior controlo da partida, o que aliado à velocidade dos seus extremos lhe confere uma maior efectividade de processos de jogo, o que é aliás visível nos últimos resultados.

Fonte: Facebook do Clube de Futebol União da Madeira
Fonte: Facebook do Clube de Futebol União da Madeira

Demonstrativo destes dados são os dois últimos jogos do União frente aos seus rivais da Madeira, onde venceu respectivamente Marítimo e Nacional por 1-0 e 3-0. As duas vitórias não merecem qualquer contestação, tal a diferença qualitativa evidenciada face aos seus rivais nos dois encontros e que lhe garantem o estatuto de equipa da Madeira em melhor forma na actualidade. Ao União coloca-se agora o objectivo de melhorar os resultados fora de portas (5 pontos em 27 possíveis) de forma a que esta subida de forma se traduza numa classificação final ainda mais surpreendente, pois até ao momento, em casa, o União tem sido uma equipa bastante regular, atingindo a marca de 18 pontos em 30 possíveis.

A verdade é que quem previu a hetacombe do União após o jogo com o Paços de Ferreira não podia estar mais equivocado, tendo o União da Madeira iniciado uma recuperação excepcional na classificação, e livrando-se até ver do espectro da descida de divisão. Neste ponto, o treinador Norton de Matos, que foi anteriormente visado pelo próprio presidente, merece agora o devido reconhecimento por ter sido capaz de levantar o ânimo de uma equipa que parecia quebrada animicamente, mas que nas últimas jornadas tem sido a grande sensação do campeonato.


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