Mourinho critica postura de CR7 na Final do Euro 2016

O técnico refere que Cristiano Ronaldo se "descontrolou emocionalmente" e, estando de fora, "a contribuição, naqueles últimos minutos, não foi nada”.

Mourinho critica postura de CR7 na Final do Euro 2016
Mourinho e Ronaldo: a Novela que não acaba

José Mourinho atacou Ronaldo pela sua conduta nos derradeiros minutos da final do Euro2016. Em entrevista à SportTV o treinador acha que o jogador foi inconsequente. “Estando de fora, acho que a contribuição ( de Ronaldo) naqueles últimos minutos não foi nada.” Mourinho considerou ainda que Ronaldo “perdeu um pouco o controlo emocional das coisas” e considera que “se fosse comigo não sei o que faria porque nunca me aconteceu. Essa pergunta devia ser feita ao Cristiano e não a um treinador. Questionar sobre quais foram os seus objetivos, se emocionalmente estava controlado ou descontrolado.” Não demorou muito a resposta de Cristiano Ronaldo a José Mourinho.

Depois do técnico português ter dito que a “contribuição de Ronaldo nos últimos minutos [da final do Euro] não foi nada”, o jogador do Real Madrid reagiu através de uma mensagem na sua conta oficial no Twitter. “Uma recordação rápida”, foram estas as palavras publicadas pelo jogador, que surgem acompanhadas de uma foto com Pepe, Bruno Alves e José Fonte com a taça da competição. Mas a má relação entre os dois já teve outros episódios, mais recentemente, Mourinho deixou uma referência em comparação com o avançado brasileiro, homónimo do português, que ficou conhecido no futebol por Fenómeno, o qual, para si, é “o verdadeiro Ronaldo”.

Uma longa história 

Em 2006/07, temporada em que os blues perderam o título para o Manchester United, o técnico destacou um penálti assinalado contra o Middlesbrough. Ronaldo respondeu, sublinhando que todos conheciam a forma de ser de Mourinho: “Não quero ser arrastado pelas queixas de Mourinho contra os árbitros, pois toda a gente sabe como ele é. Tem sempre de dizer alguma coisa, porque não consegue admitir os seus fracassos.” A resposta do treinador foi demolidora: “Um jogador que quer ser o melhor do Mundo, tem de ter a honestidade e a maturidade suficientes para verificar que contra factos não há argumentos. Se ele disser que é mentira que o Manchester United tem tido penáltis contra si que não foram assinalados, mente. E se ele mente, não atingirá o nível que quer atingir.

A relação azedou ainda mais quando Mourinho decidiu ir mais longe, sublinhando: “Isto não é um jogo de palavras entre mim e ele. É um jogo onde um miúdo fez algumas declarações, não demonstrando maturidade, nem respeito. Tem talvez a ver com uma infância difícil, sem educação apropriada. Talvez seja uma consequência disso. Por isso achei que tinha de lhe dar resposta.”

Mourinho deixou o Chelsea e Inglaterra em 2007 e, em 2008, já estava ao serviço do Inter Milão. Mas não esqueceu Ronaldo. E quando o internacional português ganhou a Bola de Ouro, referente à temporada 2007/08, opinou: “O Ronaldo é um bom jogador, mas em termos absolutos não é o melhor. Ibrahimovic é melhor. Quando penso no que deve ser um jogador vêm-me à memória Kaká, Ibrahimovic, tal como Messi, um fenómeno que vencerá a Bola de Ouro daqui a dois ou três anos”. No verão de 2010, tudo mudou. Mourinho deixou o Inter Milão e entrou no real Madrid, onde desde 2009 estava Ronaldo, protagonista da transferência mais cara de sempre um ano antes. “Têm inveja de Mourinho porque ele é o melhor”, afirmou Ronaldo, com Mourinho a retribuir: “Ronaldo é um jogador assombroso.”

A primeira temporada de convivência nos “merengues” não correu mal, pois desportivamente, Ronaldo esteve bem e o clube ganhou a Taça do Rei, embora na liga tenha sido impossível travar o Barcelona. Isso aconteceu em 2011/12, com uma chuva de golos do extremo e elogios de parte a parte. Mas 2012/13 começou mal. Acumularam-se focos de tensão entre técnico e futebolistas, entre os quais Ronaldo, mas também Iker Casillas, Sergio Ramos, Pepe e a explosão era tão inevitável quanto o era a saída de Mourinho. E veio a entrevista a “Punto Pelota”, programa da estação de televisão espanhola, a explicar o que se passou. “Penso que encontrámos uma solução tática excelente para que ele pudesse expressar o seu potencial em golos. Só tive um problema com ele, muito simples, muito básico, que foi criticá-lo sob o ponto de vista tático. E ele não aceitou muito bem, talvez porque pense que já sabe tudo e que o treinador não o pode ajudar a crescer mais.


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